Sou assim, um sentimental,
Que vaga à sombra do próprio querer,
Desejo algo além do trivial,
Um porto onde possa enfim me deter.
Que gostaria de algo, alguém,
Um lume aceso no frio da vida,
Que aquecesse a alma também,
Que fizesse a dor ser esquecida.
Algo para não viver em vão,
Sem dias banais, vazia existência,
Sem essa ausência que faz do chão
Um vasto abismo em alvoradas.
Sou feito de sonhos, de quimeras vãs,
De anseios que flertam no breu do olhar,
De versos que buscam, entre manhãs,
Algo, alguém, um cais para ancorar.
Que gostaria de um amor inteiro,
Daquelas paixões que não têm adeus,
De um lume aceso, firme e certeiro,
Que brilhe em mim, que brilhe nos teus.
Algo que faça a vida ter cor,
Que rasgue o véu do tempo banal,
Que cure o tédio, que afaste a dor,
Que faça a alma ser mais que um sinal.
Que vontade de chorar, confesso,
Mas guardo as lágrimas, sigo calado,
Talvez no tempo encontre o verso
Que faça o sonho ser encarnado.
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