Ser pobre é ser duplamente sozinho,
sem futuro à vista para oferecer a outro,
sem benesses, auxílios, mas sufoco,
que muitas vezes torna a alma oca.
Mas o pobre também quer sonhar,
com amores, com festas e risos,
com dias que não sejam cinza,
sem dedicar a vida a contas a pagar.
Quer o direito à esperança,
ao sossego que nunca repousa,
ao riso sem medo ou cobrança,
a um mundo que não lhe seja escusa.
Pois ser pobre não é não sentir,
nem deixar de querer ou de ser,
nem deixar de amar ou sonhar em amar,
mas sem futuro à vista para oferecer a outro.
Ser pobre é apenas ver o amanhã fugir
e insistir em viver, apesar de doer,
sem perguntar o porquê,
pois muitas vezes não há.
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