Se trago o olhar de um anjo caído
Não é, pois, ser anjo, nem nada disso,
Mas por ter afastado de mim o paraíso,
Da crença frágil no apelo metafísico.
Sou, pois, um anjo, sim, parecido,
Mas melancólico demais para o céu,
A não ser a noite, dias cinza e chuvosos,
Nos quais vejo da janela ao léu.
Se trago o olhar de um anjo caído,
É por verem nela a pintura de Cabanel,
Não por existir anjo e diabo, inferno e céu.
Mas se há motivo, é minha revolta,
A rebeldia dos filmes de James Dean,
Mas que, de causa exata, contra ordem trama.
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