quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025

Se trago o olhar de um anjo caído

Se trago o olhar de um anjo caído

Não é, pois, ser anjo, nem nada disso,

Mas por ter afastado de mim o paraíso,

Da crença frágil no apelo metafísico.


Sou, pois, um anjo, sim, parecido,

Mas melancólico demais para o céu,

A não ser a noite, dias cinza e chuvosos,

Nos quais vejo da janela ao léu.


Se trago o olhar de um anjo caído,

É por verem nela a pintura de Cabanel,

Não por existir anjo e diabo, inferno e céu.


Mas se há motivo, é minha revolta,

A rebeldia dos filmes de James Dean,

Mas que, de causa exata, contra ordem trama.

Nenhum comentário:

Postar um comentário