Ainda dúvidas, senhora do prazer,
com que ardor hei de honrar tua vontade?
Em teus domínios, me deixo envolver,
sem leis, sem freios, sem castidade.
No púrpuro leito, a febre incendeia,
línguas em chamas percorrem a pele,
em gozos e gritos, luxúria sem peia,
cálida dança que o tempo repele.
Rosas de Sodoma, rubras, abertas,
gotejam seiva, veneno e mel,
carnes rendidas, vontades despertas,
delírio e sombra no mesmo papel.
Teus dedos cravam meu peito arfante,
teu corpo impõe-me o jugo exato,
nos jogos febris, sou teu semblante,
escravo e rei no mesmo ato.
Que mais exiges, senhora minha?
Que dor, que gozo, que nova lei?
Se a vida é um rito que o corpo adivinha,
tecendo orgias de dor e prazer.
E quando a aurora romper na cortina,
teu gosto em mim há de perdurar,
pois mesmo que o dia a fúria defina,
à noite, em trevas, volto a te amar.
Baseado na obra de Marques de Sade
Nenhum comentário:
Postar um comentário