quinta-feira, 6 de fevereiro de 2025

Rosas de Sodoma

Ainda dúvidas, senhora do prazer,

com que ardor hei de honrar tua vontade?

Em teus domínios, me deixo envolver,

sem leis, sem freios, sem castidade.


No púrpuro leito, a febre incendeia,

línguas em chamas percorrem a pele,

em gozos e gritos, luxúria sem peia,

cálida dança que o tempo repele.


Rosas de Sodoma, rubras, abertas,

gotejam seiva, veneno e mel,

carnes rendidas, vontades despertas,

delírio e sombra no mesmo papel.


Teus dedos cravam meu peito arfante,

teu corpo impõe-me o jugo exato,

nos jogos febris, sou teu semblante,

escravo e rei no mesmo ato.


Que mais exiges, senhora minha?

Que dor, que gozo, que nova lei?

Se a vida é um rito que o corpo adivinha,

tecendo orgias de dor e prazer.


E quando a aurora romper na cortina,

teu gosto em mim há de perdurar,

pois mesmo que o dia a fúria defina,

à noite, em trevas, volto a te amar.



Baseado na obra de Marques de Sade

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