No sentido estendido, a doutrina sussurra,
onde o desejo é lei e o corpo, razão,
na carne, a ideia se rasga e murmura,
na febre dos lábios, se esvai a ilusão.
Aqui não há culpa, nem jugo celeste,
a virtude é um mito, o prazer, a verdade,
o toque é um verbo que o tempo investe,
no altar do instinto, jaz a piedade.
Como Justine, que ao tormento se rende,
ou Juliette, que no desejo ascende,
a alma se vê na paixão que excede,
onde o desejo, imortal, tudo dissolve.
Pois a vida é um jogo sem réu nem juízo,
e os muros da regra são feitos de pó,
só vale o instante, só pesa o sorriso,
pois nada há puro onde tudo é, e só.
E se ao final sobra apenas um vazio promíscuo
se o gozo é um grito que no abismo finda ,
melhor que a alma se perca, encantada,
no seio da fêmea e seu orgasmo múltiplo.
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