terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

A Filosofia na Alcova

No sentido estendido, a doutrina sussurra,

onde o desejo é lei e o corpo, razão,

na carne, a ideia se rasga e murmura,

na febre dos lábios, se esvai a ilusão.


Aqui não há culpa, nem jugo celeste,

a virtude é um mito, o prazer, a verdade,

o toque é um verbo que o tempo investe,

no altar do instinto, jaz a piedade.


Como Justine, que ao tormento se rende,

ou Juliette, que no desejo ascende,

a alma se vê na paixão que excede,

onde o desejo, imortal, tudo dissolve.


Pois a vida é um jogo sem réu nem juízo,

e os muros da regra são feitos de pó,

só vale o instante, só pesa o sorriso,

pois nada há puro onde tudo é, e só.


E se ao final sobra apenas um vazio promíscuo

se o gozo é um grito que no abismo finda ,

melhor que a alma se perca, encantada,

no seio da fêmea e seu orgasmo múltiplo.


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