Ele caminha.
Os pés rachados, o boné gasto,
o olhar perdido entre a poeira
e o horizonte que nunca se fecha.
Um nome, um sonho, um lugar no mapa—
Paris, Texas.
Não Paris das luzes, não Texas dos cowboys,
mas um vazio onde a memória se debruça,
No sertão d'alma,
como um vento sem pressa
que esqueceu para onde soprava.
A estrada é longa,
e nele mora um silêncio de milhas,
um silêncio que pesa nos ombros
como o fardo de um nome esquecido.
Na curva do tempo,
uma mulher se desenha no vidro opaco,
uma voz distante,
um menino que carrega um rosto
que ele já não sabe chamar de filho.
Ele caminha.
Não busca retorno,
não sabe do fim,
mas segue,
porque há destinos que só existem na distância,
e ele mesmo já é uma estrada
que nunca chega.
Me vejo na tela, criança—aquele
cujos pais se foram sem saber por quê.
E vive, acolhido,
embora a esmo,
porque há destinos que só existem na distância,
e eu mesmo já sou uma estrada
que nunca chega.
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