As estradas de um sonho são confusas,
pois nascem de águas turvas, sem razão.
Carregam ecos, sombras tão difusas,
perdidas na mais caótica transmutação.
Há um pouco de tudo: luz e espanto,
imagens vagas, rasgos de visão.
Mas até o lúdico, em seu encanto,
não passa de fugaz ilusão.
Ou será que não? Pois no delírio,
o que se inventa pode ser real.
Se o tempo é bruma, sombra ou martírio,
qual a verdade e qual seu sinal?
Esse caminho, incerto e errante,
por onde o sonho ousa se lançar.
Se as vias somem, sigo adiante...
Talvez sonhar seja apenas buscar.
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