Perdão, caros amigos, se me ausento,
Sumindo ao fim da festa sem alarde.
Não é descaso, é só meu sentimento,
Que ao rito de adeus jamais se guarde.
Não tenho o dom formal da despedida,
Prefiro a dança, o passo imprevisível,
Pois tudo o que se vai não é perdida
Mas memória, promessa do intangível.
E quando enfim chegar meu derradeiro
Instante, que me leve a correnteza:
Sem lágrimas, sem véus, sem desespero.
Só um olhar que sonha a sutileza
De um novo encontro, um tempo verdadeiro,
De todos nós com a própria natureza.
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