quarta-feira, 12 de fevereiro de 2025

Exílio

Vai, meu canto, sem destino,

pela estrada tão vazia...

Cada passo é um desatino,

mas não há quem me desvia.


O que sei, me fez sozinho,

feito um barco sem cais.

Se há verdades no caminho,

quem as ouve só quer paz...


E eu quis ver além do véu,

quis tocar o tom do céu,

mas no alto fez-se o frio,

meu amor, eu sou sozinho...


Já tentei calar o peito,

dar ao mundo um outro tom,

mas pensar tem seu efeito:

é silêncio ao meu redor...


Se essa vida é um delírio,

se o que creem lhes convém,

quem desperta faz seu exílio

e não volta pra ninguém...


Sou sereno em quietude,

voz que cala no deserto.

Reparo o mundo n'amplitude,

como um filósofo desperto.


Pois quis ver além do véu,

quis tocar o tom do céu,

mas no alto fez-se o frio,

me fez livre num exílio...




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