Vai, meu canto, sem destino,
pela estrada tão vazia...
Cada passo é um desatino,
mas não há quem me desvia.
O que sei, me fez sozinho,
feito um barco sem cais.
Se há verdades no caminho,
quem as ouve só quer paz...
E eu quis ver além do véu,
quis tocar o tom do céu,
mas no alto fez-se o frio,
meu amor, eu sou sozinho...
Já tentei calar o peito,
dar ao mundo um outro tom,
mas pensar tem seu efeito:
é silêncio ao meu redor...
Se essa vida é um delírio,
se o que creem lhes convém,
quem desperta faz seu exílio
e não volta pra ninguém...
Sou sereno em quietude,
voz que cala no deserto.
Reparo o mundo n'amplitude,
como um filósofo desperto.
Pois quis ver além do véu,
quis tocar o tom do céu,
mas no alto fez-se o frio,
me fez livre num exílio...
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