quinta-feira, 30 de janeiro de 2025

A Vida Como Ela É

A sala posta, o véu rendado,

a mão que treme, o olhar de aço,

no vão da porta um vulto alado,

o coração batendo em falso.


Sorrisos gastos, gestos frios,

peçonha oculta sob a flor,

no vinho há fel, na noite, estios,

na jura doce, um dissabor.


O amor? Um crime sem castigo,

um fogo em febre, em sombra ardente,

um laço feito em nó antigo,

que se desfaz, fatalmente.


No lar perfeito, o pranto tomba,

na missa há risos de ironia,

o bem é máscara que assombra,

o mal também tem lá sua poesia.


E assim se vai, sem redenção,

entre traições e hipocrisia,

quem muito sonha perde o chão,

quem muito enxerga, a luz esfria.


E assim se vai, na contramão,

entre a margem e a esquina,

quem muito sonha perde a mão,

quem muito enxerga, vive a melancolia.

Nenhum comentário:

Postar um comentário