quinta-feira, 2 de janeiro de 2025

Pêndulo

Oscilo, entre extremos, na corda da existência,

Entre a festa que explode e o silêncio que fere.

A alegria me chama, mas a angústia interfere;

Sou cúmplice e refém dessa eterna resistência.


Num instante, sou chama que o vento não apaga,

Uma fúria de vida que insiste e recria;

Mas logo vem o peso de uma sombra vaga,

Que sufoca a esperança e a vontade esvazia.


De manhã, vejo o mundo com olhos de desejo,

O futuro me canta promessas de alívio;

À noite, me consumo no abismo que vejo,

Entre o salto do sonho e o retorno ao cativeiro.


Sou a pulsão que anseia por tudo que falta,

Mas também sou a queda que tudo ressalta.

Um ímpeto voraz, que no vazio tropeça,

O jogo de forças que a alma atravessa.


Nasço no impulso que o horizonte almeja,

Morro na ausência que o próprio ato enseja.

E assim sigo oscilando, no eterno compasso,

Entre criar o caminho e perder-me no espaço.


O desejo me impele, mas nunca se basta,

É sombra e clarão, ao mesmo tempo afasta.

Entre o que almejo ser e o que temo perder,

Sou o pêndulo vivo que não se pode deter.

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