Oscilo, entre extremos, na corda da existência,
Entre a festa que explode e o silêncio que fere.
A alegria me chama, mas a angústia interfere;
Sou cúmplice e refém dessa eterna resistência.
Num instante, sou chama que o vento não apaga,
Uma fúria de vida que insiste e recria;
Mas logo vem o peso de uma sombra vaga,
Que sufoca a esperança e a vontade esvazia.
De manhã, vejo o mundo com olhos de desejo,
O futuro me canta promessas de alívio;
À noite, me consumo no abismo que vejo,
Entre o salto do sonho e o retorno ao cativeiro.
Sou a pulsão que anseia por tudo que falta,
Mas também sou a queda que tudo ressalta.
Um ímpeto voraz, que no vazio tropeça,
O jogo de forças que a alma atravessa.
Nasço no impulso que o horizonte almeja,
Morro na ausência que o próprio ato enseja.
E assim sigo oscilando, no eterno compasso,
Entre criar o caminho e perder-me no espaço.
O desejo me impele, mas nunca se basta,
É sombra e clarão, ao mesmo tempo afasta.
Entre o que almejo ser e o que temo perder,
Sou o pêndulo vivo que não se pode deter.
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