quinta-feira, 2 de janeiro de 2025

Os rios que desaguam em mim

Nasci do barro e da mão calejada,

Dos gestos simples, de olhar tão profundo,

Onde a enxada traça as linhas do mundo

E a vida é arte, na viola cantada.


Meu pai, um rio sereno, transparente,

Desbravou terras com passos de esperança,

Na alma trazia a fé de uma criança,

Nos braços, a força que move a estrada.


Minha mãe, nascente oculta na serra,

Guardava o sonho na mão calejada,

Fazia do pouco uma vida bordada,

De amor semeado na áspera terra.


Sou feito de rios que nunca se aquietam,

Das águas humildes que moldam a essência,

Sou caipira em verso e em consciência,

Um filho das margens que em mim se completam.


Carrego o Brasil em ideias simbólicas,

A viola que chora, a saudade que invade,

O tempo em meu rosto revela a verdade:

Sou um curso que flui, entre diversas histórias.


E quando deságuo, encontro no mar

A vastidão que me faz recordar

Que minhas raízes, de homens varonis,

São os rios femininos que desaguam sutis.




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