Nasci do barro e da mão calejada,
Dos gestos simples, de olhar tão profundo,
Onde a enxada traça as linhas do mundo
E a vida é arte, na viola cantada.
Meu pai, um rio sereno, transparente,
Desbravou terras com passos de esperança,
Na alma trazia a fé de uma criança,
Nos braços, a força que move a estrada.
Minha mãe, nascente oculta na serra,
Guardava o sonho na mão calejada,
Fazia do pouco uma vida bordada,
De amor semeado na áspera terra.
Sou feito de rios que nunca se aquietam,
Das águas humildes que moldam a essência,
Sou caipira em verso e em consciência,
Um filho das margens que em mim se completam.
Carrego o Brasil em ideias simbólicas,
A viola que chora, a saudade que invade,
O tempo em meu rosto revela a verdade:
Sou um curso que flui, entre diversas histórias.
E quando deságuo, encontro no mar
A vastidão que me faz recordar
Que minhas raízes, de homens varonis,
São os rios femininos que desaguam sutis.
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