Ao crepúsculo ergue o voo a sábia ave,
no silêncio onde o mundo adensa a essência;
seu olhar desvenda o tempo e sua chave,
no limiar da sombra e da consciência.
Não canta a aurora, mas da noite extrai,
do real já feito, a trama inevitável;
do agir humano, o sentido se refaz,
pelo rigor de um pensar implacável.
A filosofia, filha do seu tempo,
surge ao encontro do que já é vivido;
é luz tardia que revela o momento,
pois lê no mundo o espírito esculpido.
Assim contempla, ao findar da madrugada,
a forma exata que ao espírito é dada.
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