quinta-feira, 2 de janeiro de 2025

Ao crepúsculo ergue o voo a sábia ave

Ao crepúsculo ergue o voo a sábia ave,

no silêncio onde o mundo adensa a essência;

seu olhar desvenda o tempo e sua chave,

no limiar da sombra e da consciência.


Não canta a aurora, mas da noite extrai,

do real já feito, a trama inevitável;

do agir humano, o sentido se refaz,

pelo rigor de um pensar implacável.


A filosofia, filha do seu tempo,

surge ao encontro do que já é vivido;

é luz tardia que revela o momento,

pois lê no mundo o espírito esculpido.


Assim contempla, ao findar da madrugada,

a forma exata que ao espírito é dada.

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