quinta-feira, 30 de janeiro de 2025

Força da Imanência

Nos veios ocultos do real concreto,

onde o tempo não dobra nem suplica,

pulsa a matéria em seu lume inquieto,

forjando o mundo que a si se explica.


Nada se aparta, nada se evade,

tudo ressoa no mesmo fulgor:

a luz que tomba, a sombra que invade,

o caos em dança, no deserto, o clamor.


Não há um fôlego além do corpo,

nem verbo antes do sopro infindo,

pois ser é força sem molde

no eterno embate do irrestrito.


Toda potência se faz presença,

toda ausência é ingênua ilusão,

o que fulgura, o que é essência,

se ergue desse mesmo chão.


Nenhuma mão move as marés,

nenhum sopro é sem raiz,

somos matéria, sonho e revés,

somos do abismo a divina matriz.


Nenhum comentário:

Postar um comentário