Não tenho ninguém para conversar
da forma em que costumávamos.
Mas, nesse sentir confuso,
não percebemos o quanto temos.
São fases, crises, da idade—
aos vinte, aos trinta, e por aí vai—
sem compreender, apenas,
apenas caminhando.
Diante das incertezas,
das crises, erros e angústias,
impossível dizer o que é certo
quando toda decisão parece erro.
Do sujeito que sou,
diante do "meu" não-lugar
no mundo.
Debaixo da apatia dos astros,
diante da vista dos meus olhos,
que anseiam a felicidade de todas e todos,
mas como se a felicidade me fosse negada.
E se emocionam, nessa incapacidade,
incapacidade de merecer tal lugar
no mundo.
Então, caminho e reparo o caminho,
como ele é: a se fazer,
e, diante dele, abro um sorriso—
dos mais angustiantes e confusos.
Pois perdido nessa imensidão,
na qual toda rua, instante,
todo rosto, esboço, emoção
poderia ser uma vida—e é.
Para todas e todos, mas não para mim.
Pois perdido, muito embora sorrindo,
no mundo.
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