terça-feira, 28 de janeiro de 2025

Crise

Não tenho ninguém para conversar

da forma em que costumávamos.

Mas, nesse sentir confuso,

não percebemos o quanto temos.


São fases, crises, da idade—

aos vinte, aos trinta, e por aí vai—

sem compreender, apenas,

apenas caminhando.


Diante das incertezas,

das crises, erros e angústias,

impossível dizer o que é certo

quando toda decisão parece erro.


Do sujeito que sou,

diante do "meu" não-lugar

no mundo.


Debaixo da apatia dos astros,

diante da vista dos meus olhos,

que anseiam a felicidade de todas e todos,

mas como se a felicidade me fosse negada.


E se emocionam, nessa incapacidade,

incapacidade de merecer tal lugar

no mundo.


Então, caminho e reparo o caminho,

como ele é: a se fazer,

e, diante dele, abro um sorriso—

dos mais angustiantes e confusos.


Pois perdido nessa imensidão,

na qual toda rua, instante,

todo rosto, esboço, emoção

poderia ser uma vida—e é.


Para todas e todos, mas não para mim.

Pois perdido, muito embora sorrindo,

no mundo.

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