segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

Anti-Parnasiano

Nos versos presos ao rigor eterno,

O texto é vida presa à moldura,

Cada sílaba cativa seu inferno,

Faz da verdade um eco numa cerca.


Forma, imaculada em seu alcance,

Não dá ao coração nenhum fôlego,

Limitando-se num delicado lance,

No qual a alma sofre em um silêncio.


Definir é condenar à estreiteza,

Onde a rígida régua mata a flor,

O verso, numa alçada de beleza,

Limita o poeta nesse seu rigor.


Por essa métrica, apaga-se o ser,

O sentir escrito se torna máscara,

Qual espírito, ao buscar descrever,

Nota o limite da própria carcaça.


Mas quem, nesse tolo engano, se detém,

A ti, poesia, não sabe o salto,

Pois, a rigidez que a mente contém,

Anula-se no olhar que perde o alto.

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