Nos versos presos ao rigor eterno,
O texto é vida presa à moldura,
Cada sílaba cativa seu inferno,
Faz da verdade um eco numa cerca.
Forma, imaculada em seu alcance,
Não dá ao coração nenhum fôlego,
Limitando-se num delicado lance,
No qual a alma sofre em um silêncio.
Definir é condenar à estreiteza,
Onde a rígida régua mata a flor,
O verso, numa alçada de beleza,
Limita o poeta nesse seu rigor.
Por essa métrica, apaga-se o ser,
O sentir escrito se torna máscara,
Qual espírito, ao buscar descrever,
Nota o limite da própria carcaça.
Mas quem, nesse tolo engano, se detém,
A ti, poesia, não sabe o salto,
Pois, a rigidez que a mente contém,
Anula-se no olhar que perde o alto.
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