quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

A tragicomédia do cotidiano

I

Num palco imundo, a peça se desenrola,

Figuras vãs desfilam tolas certezas,

A mente rasa no discurso se amola,

E o riso escorre em meio às asperezas.


São reis grotescos que ao trono se assentam,

Coroados por vozes sem consciência;

Dos cegos olhos, mil juízos inventam,

E erguem em trono a pura incompetência.


A falsidade veste a máscara mais bela,

Na pantomima aplaudem vil histeria,

Pois vale a pose, e não o que se revela.


E o mundo gira nessa volta sombria,

A estupidez, senhora de sua tela,

Encena o caos como obra de harmonia.


II

 

Este geoide perdido no espaço escuro,

Onde ninguém deixa de olhar pro umbigo,

Vagueia só num universo absurdo,

E cada qual só cuida do seu abrigo.


Uns bilionários sonham em ir pra Marte,

Enquanto outros nem têm o que comer;

Todos dividem o mesmo chão, sua parte,

Mesmo planeta, mesma trama a sofrer.


Uns riem, outros choram, todos na cena,

Aplaudem algozes, erguem capitólios,

Adoram farsas, vivem na plateia.


Eu só penso que, se Deus existisse,

Extinguir-nos seria sua prova mais célebre.

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