segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

E agora, José?

A esquerda acabou? Estamos de volta ao "fim da história" de Fukuyama ou à "derrota da dialética" de Leandro Konder? O que há de novo na crítica intempestiva da ausência do novo? Essas indagações ressoam em um cenário onde a esquerda, segundo Vladimir Safatle, encontra-se em estado terminal, incapaz de propor um horizonte transformador diante do avanço de forças conservadoras e da consolidação de um neoliberalismo que devora até mesmo as expressões de resistência. Em meio a esse impasse, debates sobre a centralidade do identitarismo e a fragmentação dos movimentos progressistas desafiam qualquer tentativa de resgatar a unidade e o potencial revolucionário. Será que a política atual, marcada por sua resignação estrutural, ainda pode oferecer algo além da repetição de formas esgotadas, ou estaríamos realmente diante do colapso da dialética? É nesse panorama que se faz urgente repensar as bases ideológicas, históricas e estratégicas da esquerda, na busca por respostas à altura das contradições do nosso tempo.

1) A conjuntura

Vladimir Safatle, professor de filosofia da USP e autor do livro Alfabeto das Colisões, expõe uma visão contundente sobre o cenário político brasileiro atual, com uma análise que não poupa a esquerda e critica as falhas da política brasileira em lidar com os desafios estruturais do país. Para Safatle, a vitória de Lula nas eleições de 2022 não representa uma solução definitiva, mas apenas uma pausa temporária na ascensão da extrema direita, que continua a dominar o debate político e se configura como a única força capaz de ruptura no Brasil. Em seu diagnóstico, a esquerda, que ele considera ter "morrido como esquerda", se transformou em uma "constelação de progressismos" sem a ambição de uma transformação estrutural que abrace valores fundamentais como a igualdade radical e a soberania popular.

A análise de Safatle vai além de uma simples crítica à ineficiência da esquerda, atingindo uma reflexão mais profunda sobre a perda da "gramática" política que definia o campo progressista. A linguagem, segundo ele, desempenha um papel crucial na construção de uma identidade política, e a incorporação de termos como "empreendedorismo periférico" pela esquerda é um exemplo de como a ideologia tradicional foi diluída e transformada. Para o filósofo, o enfraquecimento da esquerda se reflete na incapacidade de propor soluções estruturais para os problemas do Brasil e no encolhimento de uma agenda política que já não se articula em torno da transformação social.

No entanto, Safatle não se limita a fazer críticas. Ele também aponta que, no contexto atual, a extrema direita se aproveita da ausência de propostas alternativas significativas. A sua análise sugere que a aproximação de polos ideológicos, como se observa nas tentativas de negociação do governo Lula com setores conservadores, pode ser uma "forma de suicídio político", que enfraquece a esquerda e lhe retira qualquer possibilidade de renovação genuína. O autor também aborda a crise epistêmica que o Brasil atravessa. Em Alfabeto das Colisões, livro lançado em 2024, ele propõe uma escrita fragmentada e experimental, distante da rigidez acadêmica, para captar e expressar as contradições do momento histórico. A obra não se restringe a debates sobre política, mas também questiona conceitos como identidade e opressão, ampliando o olhar para um campo mais amplo de reflexões sobre a sociedade.

Safatle faz uma crítica ao papel da intelectualidade pública, apontando a falha da classe intelectual em oferecer soluções eficazes e genéricas para os problemas do país. Em vez de buscar soluções prontas, ele sugere que o mais honesto seria compartilhar e debater as colisões ideológicas e políticas que atravessam a realidade brasileira.

Em contraposição à análise proposta por Vladimir Safatle, que afirma que a esquerda está "morta" ou em crise profunda, é possível argumentar que, embora a esquerda esteja enfrentando desafios significativos, ela ainda possui um papel vital a desempenhar na sociedade brasileira. Safatle, ao afirmar a "morte" da esquerda, parece desconsiderar as complexidades e as condições que envolvem a luta política em um contexto de grande desigualdade e adversidade. A visão de que a esquerda abandonou princípios fundamentais como igualdade radical e soberania popular não leva em consideração que esses ideais continuam sendo discutidos e defendidos, ainda que em um cenário de fragmentação e adaptação. A crise apontada por Safatle pode ser mais bem compreendida como um processo de adaptação às condições contemporâneas, e não uma falência definitiva.

Jones Manoel e Safatle podem ter razão ao identificar uma crise nas práticas da esquerda, mas a caracterização da "morte" da esquerda ignora o fato de que, historicamente, os movimentos de transformação social não se dão de forma linear ou imediata. A crítica ao enfraquecimento da ação política da esquerda, especialmente nas universidades e centros acadêmicos, se conecta à observação de que a academia, longe de ser um espaço de morte política, tem se tornado um ambiente de intensa reflexão e produção crítica. No entanto, é inegável que a prática acadêmica se distanciou de um compromisso direto com a transformação social. O que pode ser descrito não é a morte, mas uma reconfiguração das formas de engajamento, que exige novos caminhos para conectar a teoria com a ação política.

A crítica à academia como um espaço elitizado que perde sua função crítica, embora válida em muitos aspectos, também não deve obscurecer a importância do saber acadêmico e das diversas formas de resistência que continuam a emergir nesse ambiente. A transformação da intelectualidade da esquerda em um espaço mais profissionalizado, como destacado no texto, é reflexo das transformações da sociedade globalizada, mas isso não significa a incapacidade de influenciar a política de maneira eficaz. Pelo contrário, a crítica ao domínio acadêmico pode ser um convite para um renascimento da ação intelectual fora das paredes da universidade, mas nunca como um fechamento definitivo da academia como campo de resistência.

No que diz respeito à questão racial, embora seja evidente que a classe trabalhadora negra desempenha um papel crucial na luta de classes, a esquerda, de fato, tem falhado em integrar de forma eficaz a questão racial em sua agenda. No entanto, isso não é razão para a morte da esquerda, mas um sinal da necessidade urgente de revisão das práticas políticas e da criação de uma aliança mais sólida entre a teoria e as demandas sociais contemporâneas. A crítica ao movimento negro por não discutir questões como o identitarismo de forma honesta, e a proposição de um marxismo negro mais robusto, é uma chamada à ação para que os intelectuais e militantes negros se empoderem de um discurso mais radical, que articule as diversas dimensões da opressão.

Assim, a intenção do texto não deve ser vista como um desafio ao legado histórico da esquerda, mas como um convite à reflexão sobre suas estratégias e práticas. Embora a crise da esquerda seja real, ela não é uma sentença de morte, mas um ponto de partida para uma reconfiguração das suas práticas. A esquerda precisa, de fato, aprender com seus erros, mas nunca subestimar seu potencial de renovação e reinvenção, buscando novos pontos de articulação com as classes subalternas e com os movimentos sociais, incluindo os negros e as novas formas de resistência cultural e política. O que está em jogo não é a morte da esquerda, mas a sua transformação para os tempos atuais.

A atual dinâmica da esquerda brasileira, em grande parte absorvida por movimentos identitários, distante dos mais eloquentes, como o “woke”, apresentando uma série de limitações que merecem uma crítica cuidadosa e profunda. Embora seja inegável que as questões de identidade, como gênero, raça e orientação sexual, são fundamentais no combate às opressões contemporâneas, a ênfase excessiva em tais questões tem conduzido parte da esquerda para um terreno cada vez mais afastado de uma crítica estrutural radical e da luta por uma transformação profunda da sociedade. O movimento “woke”, com sua ênfase na conscientização individual sobre questões de opressão, muitas vezes se esgota em práticas performativas que, em lugar de questionar a estrutura capitalista e suas relações de poder, acabam reforçando um tipo de política de identidades fragmentadas e isoladas.

Essa ênfase nos identitarismos, longe de promover uma coalizão efetiva de classes subalternas, tem dividido ainda mais as forças progressistas, enfraquecendo a possibilidade de um movimento coletivo, capaz de articular um programa revolucionário claro. Ao invés de focar nas causas estruturais da desigualdade – como a exploração capitalista, o imperialismo e a opressão de classe –, o identitarismo muitas vezes desvia o debate para questões que, embora legítimas, não desafiam de forma concreta as estruturas de poder que sustentam o sistema econômico global. Em lugar de uma crítica radical do capitalismo, temos uma "politização da subjetividade" que, sem questionar o poder econômico, apenas reforça as dinâmicas de vitimização e fragmentação social.

Além disso, a esquerda contemporânea parece cada vez mais limitada a um movimento de massas muito ingênuo e centrista, que se nega a adotar uma postura verdadeiramente revolucionária. O foco em pautas de inclusão e direitos individuais, embora importantes, não é suficiente para promover as mudanças estruturais necessárias em uma sociedade profundamente desigual. O movimento, ao se limitar a reformas superficiais e ao apelo por maior representatividade dentro das mesmas estruturas dominantes, ignora a necessidade de uma ruptura profunda com o sistema capitalista e com as ideologias que sustentam a exploração das massas.

Ao observar o cenário atual, é possível perceber a ausência de referências políticas revolucionárias capazes de galvanizar as massas de forma clara e objetiva. O discurso revolucionário, que antes era ancorado em teorias marxistas e em uma crítica radical ao capitalismo, parece ter se diluído nas demandas por "inovadorismo", como se a simples atualização de terminologias ou de abordagens fosse suficiente para transformar a sociedade. O que antes era um movimento voltado para a tomada do poder e a transformação das estruturas sociais, agora se dispersa em ações simbólicas e protestos que não levam a uma mudança real nas condições materiais de vida das grandes maiorias.

A disputa pelo "inovadorismo", muitas vezes, se traduz em uma corrida para adotar as últimas tendências ideológicas, em vez de um esforço genuíno para enfrentar as contradições do capitalismo e construir alternativas concretas. A busca por inovações, por sua vez, se traduz em uma tentativa de marcar território no campo das ideias, muitas vezes sem qualquer substância prática ou revolucionária. Em lugar de uma estratégia de ação concreta, o que se vê são iniciativas que, embora carregadas de boas intenções, não conseguem ameaçar de fato o sistema que produziu as desigualdades e opressões que eles tanto criticam.

A ausência de uma proposta revolucionária clara não é um simples erro de estratégia, mas uma questão fundamental. O movimento de esquerda contemporâneo, especialmente na sua vertente mais liberal e identitária, parece se acomodar nas margens do sistema, sem nunca desafiar efetivamente as suas bases. Em vez de uma luta por um novo modelo de sociedade, assistimos a uma luta por um espaço dentro de um sistema que, por sua própria natureza, perpetua a desigualdade e a exploração. As ideias revolucionárias, que no passado eram centrais para os movimentos progressistas, hoje se encontram em um estado de inércia, sem a força e a clareza necessárias para desafiar a hegemonia do capital.

Nesse contexto, a crítica à esquerda não é apenas uma crítica às suas falhas atuais, mas também uma convocação à ação. Se a esquerda pretende se reerguer, ela deve superar o individualismo dos identitarismos e se voltar para uma agenda coletiva e estruturante, que tenha como objetivo a transformação das relações sociais e econômicas fundamentais. Sem uma perspectiva clara de mudança revolucionária, sem a luta pela destruição das estruturas de poder que sustentam o capitalismo, a esquerda se tornará cada vez mais irrelevante, marcada por gestos vazios e por um "inovadorismo" que pouco contribui para o avanço de uma verdadeira justiça social. A política de massas não pode ser substituída por uma política de identidades fragmentadas, e a busca por inovação deve ser acompanhada de uma análise profunda das forças sociais e políticas que moldam o nosso mundo. A radicalidade da esquerda deve ser reestabelecida, não em gestos simbólicos, mas em uma ação concreta que desafie as raízes do poder econômico e político que hoje dominam a sociedade global.

2) A novidade

A relação entre a contracultura dos anos 60 e 70 e o neoliberalismo, como articulado pelo pensador britânico que atuou como escritor, crítico, teórico cultural, filósofo marxista e professor no Departamento de Cultura Visual em Goldsmiths, Mark Fisher, é profundamente paradoxal, pois embora o neoliberalismo tenha surgido em resposta direta a muitas das inovações ideológicas e culturais da época, ele incorporou uma série de seus aspectos, transformando-os em elementos de seu próprio discurso hegemônico. A contracultura, em sua essência, buscava uma ruptura com os paradigmas rígidos da sociedade industrial, promovendo a liberdade individual, a experimentação estética, e a crítica ao trabalho alienante. Esses ideais de liberdade e de questionamento da ordem estabelecida ressoam de maneira estranha dentro da ascensão do neoliberalismo, que, ao mesmo tempo, se define como a antítese de qualquer projeto socialista ou comunista.

O conceito de Comunismo Ácido, conforme desenvolvido por Fisher, se refere à tentativa de criar um novo tipo de desejo revolucionário que rejeita o trabalho como valor central e busca uma transformação radical da sociedade por meio da ação estética e política. Em certo sentido, o Comunismo Ácido é uma fusão entre os movimentos sociais de vanguarda e as tendências mais experimentais da contracultura, que priorizam a liberdade criativa e a reinvenção do desejo humano fora da lógica capitalista. Essa “estetização sem precedentes da vida cotidiana” foi uma tentativa de criar uma forma de organização social que não estivesse subordinada à ética do trabalho, à moral capitalista ou à subordinação das pessoas a uma produção incessante.

Porém, o neoliberalismo, em sua busca incessante pela manutenção da ordem capitalista, reagiu a esse espectro de liberdade e desejo com a criação de uma nova versão do capitalismo que se utiliza de elementos da contracultura, mas de maneira a servir à reprodução das relações de produção e consumo. A estética da novidade, a ênfase na autoexpressão e a criação de desejos que emulam os valores libertários da contracultura, mas dentro de um mercado neoliberal, configuram o que Fisher chamou de uma carapaça “moderna” do neoliberalismo. O design do iPhone, os comerciais da Coca-Cola, e o estilo de vida promovido por empresas como Google e Apple são exemplos de como os ideais da contracultura foram apropriados e remodelados para impulsionar a lógica de consumo e trabalho em um novo formato, onde o “novo” é consumido não como uma revolução social, mas como um produto de mercado que pode ser adquirido, consumido e descartado.

Essa fusão entre o neoliberalismo e elementos da contracultura dos anos 60 e 70 é reveladora da flexibilidade do capitalismo em absorver, e até mesmo promover, a ideia de liberdade individual desde que ela não ameace as estruturas de poder existentes. Ao contrário do comunismo ácido, que imagina uma sociedade onde a abundância e a solidariedade criam condições para um novo tipo de desejo e de organização social, o neoliberalismo constrói um mundo onde o desejo é formatado pelas lógicas de mercado, e a liberdade é limitada pela capacidade de consumo individual.

No entanto, o neoliberalismo não se contenta apenas em absorver a estética da contracultura; ele também se posiciona como um combate direto contra qualquer movimento que realmente ameace a lógica do capitalismo. Como Fisher aponta, o neoliberalismo não é apenas uma continuação do capitalismo, mas uma resposta direta ao espectro do comunismo ácido. Ele não se limita a desqualificar politicamente as alternativas socialistas, mas, ao contrário, busca torná-las irrelevantes ao transformá-las em formas de consumo ou em subculturas que possam ser digeridas pelo mercado. A estética da rebeldia, a excentricidade, e a experimentação cultural, todas características da contracultura, são agora produtos a serem consumidos.

Em última instância, a batalha entre Comunismo Ácido e neoliberalismo revela uma luta profunda sobre os sentidos do desejo e da liberdade. Enquanto o primeiro busca uma revolução que transcenda a lógica do trabalho e do mercado, o segundo se reinventa através da comercialização do desejo e da adaptação das formas culturais à necessidade de perpetuar o sistema econômico existente. A verdadeira questão está em como essas dinâmicas de consumo e individualismo são manipuladas para garantir que as lutas de classes não ameacem as estruturas de poder, e como o neoliberalismo usa a liberdade e a inovação como ferramentas para garantir a continuidade da dominação econômica.

A relação entre neoliberalismo e contracultura não é um simples determinismo, mas um processo complexo de luta e assimilação. Alguns aspectos da contracultura foram apropriados e adaptados como precursoras do "novo espírito do capitalismo", enquanto outros, incompatíveis com o excesso de trabalho, foram rejeitados como tolices. Essa análise desafia a visão determinista, sugerindo que é possível separar neoliberalismo e a ideia de novidade, permitindo um diálogo entre socialismo e modernidade. Porém, há equívocos a serem evitados. A chamada "folk politics", uma tendência que emerge nas esquerdas, propõe que, para combater o capital, se deve retornar ao "tradicional" e ao "primitivo", buscando um estado bucólico de natureza. Embora se valorize as culturas não ocidentais, essas ideias, na realidade, exotizam e isolam as diferenças, negando a conexão entre sociedades tradicionais e o capitalismo.

O neoliberalismo isolou a contracultura da classe trabalhadora, tornando-a funcional ao capital. Para desafiar isso, é necessário reativar os sonhos de transformação em escala mundial, como uma economia descarbonizada ou a exploração espacial. Sendo assim, é necessário explorar a consolidação do neoliberalismo sem se prender a contextos específicos, refletindo sobre um momento no qual o capitalismo se sentiu ameaçado, e o neoliberalismo ainda era uma luta, não uma realidade. O objetivo é resgatar a ideia de um futuro livre, uma utopia que poderia ter sido.

Nesse contexto, o conceito de "Comunismo Ácido" de Mark Fisher permanece indefinido e provocador, refletindo uma ideia de política de esquerda experimental e além do princípio do prazer. O termo "ácido" traz conotações de produtos químicos, psicodelia e subgêneros musicais, e ao mesmo tempo sugere uma política que visa não apenas recuperar a utopia contracultural, mas também criar um movimento revolucionário contra a hegemonia sociopolítica. Fisher destaca que a verdadeira mudança não reside em restaurar uma identidade perdida, mas em se mover em direção ao "radicalmente Outro", algo não concretizado, mas desejado. Esse desejo, como formulado por Deleuze, não tem um objeto fixo, sendo um fluxo revolucionário que desafia a ordem e busca novas conexões. Assim, o "ácido" no Comunismo Ácido representa um desejo corrosivo e multiplicador, capaz de desnaturalizar e reconfigurar as políticas existentes, trazendo uma nova instância para o comunismo.

No contexto atual, a direita tem se mostrado ainda mais "ácida" em devesa de um retrocesso como ideologia do avanço, pois, ao adotar uma postura radical e destrutiva das instituições tradicionais, tem se apropriado da linguagem da crise, da ruptura e da subversão, desconstruindo as normas estabelecidas e desafiando os fundamentos do sistema político e econômico vigente. Essa "ácidez" da direita é evidente em sua capacidade de explorar as fragilidades do sistema, questionando e desestabilizando continuamente a ordem, o que, paradoxalmente, garante sua vigência.

Enquanto a esquerda tenta se manter dentro dos limites de um discurso em defesa da ordem, que, muitas vezes, acaba se tornando complacente e previsível, a direita tem utilizado a "ácidez" como uma força que cria novas conexões e redefine o campo político. Por isso, é fundamental que a esquerda se aproprie desse conceito de "Comunismo Ácido", pois ele oferece uma ferramenta de resistência e renovação, permitindo que a esquerda se renove e mantenha sua relevância. Caso contrário, ela corre o risco de se tornar irrelevante, incapaz de responder adequadamente aos desafios do presente e de ser reconhecida como uma força verdadeira de transformação social. No cenário atual, são os que ousam desestabilizar e corroer as velhas formas de política que têm se destacado. Portanto, é necessário que a esquerda adote a "ácidez" como um princípio de ação, se renovando e desafiando as estruturas dominantes para não desaparecer ou ser reduzida a uma mera caricatura do que deveria ser.

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