quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

O Perfume

Voltei ontem pra buscar o que ainda era meu,

no apartamento nu, sem um eco ou calor teu.

Só o vazio dos móveis, feito um velho torpor,

e a lembrança crua do que já foi nosso amor.


Levou quase tudo, mas deixou um enredo:

uma camisola de cetim, como você tão macia,

junto de uma calcinha, perto da cama esquecida,

guardando o lascivo cheiro do teu segredo.


Seria vingança, descuido ou então castigo?

Teu perfume ainda arde, me queima o sentido,

e a ausência murmura teu nome em meu ouvido.


Deixaste a sentença, intencional ou descuidada,

pois a peça ali deixada me trouxe um pecado:

despir teu corpo em memória num amor solitário.

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