Voltei ontem pra buscar o que ainda era meu,
no apartamento nu, sem um eco ou calor teu.
Só o vazio dos móveis, feito um velho torpor,
e a lembrança crua do que já foi nosso amor.
Levou quase tudo, mas deixou um enredo:
uma camisola de cetim, como você tão macia,
junto de uma calcinha, perto da cama esquecida,
guardando o lascivo cheiro do teu segredo.
Seria vingança, descuido ou então castigo?
Teu perfume ainda arde, me queima o sentido,
e a ausência murmura teu nome em meu ouvido.
Deixaste a sentença, intencional ou descuidada,
pois a peça ali deixada me trouxe um pecado:
despir teu corpo em memória num amor solitário.
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