segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

Caminhando no Escuro

O silêncio me abraça em noite sem morada,

Um vácuo onde o tempo dissolve a direção.

Minh’alma, navegante de dor enraizada,

Carrega o desalento em densa contramão.


Os passos são mais lentos, o peso é infinito,

E o eco do que fui consome o que serei.

No peito, um labirinto sem fim, ermo e aflito,

Onde a incerteza é tudo o que encontrei.


Mas vejo, na penumbra, um novo entendimento:

O vazio não oprime a quem ousar viver.

Na escuridão, há força, há lume no tormento,


Se a coragem fizer do nada um renascer.

Pois mesmo o breu profundo é casa e horizonte

A quem no próprio abismo erguer firme a fronte.

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