O silêncio me abraça em noite sem morada,
Um vácuo onde o tempo dissolve a direção.
Minh’alma, navegante de dor enraizada,
Carrega o desalento em densa contramão.
Os passos são mais lentos, o peso é infinito,
E o eco do que fui consome o que serei.
No peito, um labirinto sem fim, ermo e aflito,
Onde a incerteza é tudo o que encontrei.
Mas vejo, na penumbra, um novo entendimento:
O vazio não oprime a quem ousar viver.
Na escuridão, há força, há lume no tormento,
Se a coragem fizer do nada um renascer.
Pois mesmo o breu profundo é casa e horizonte
A quem no próprio abismo erguer firme a fronte.
Nenhum comentário:
Postar um comentário