terça-feira, 10 de dezembro de 2024

Queixa à Ausência de Boas Ideias Contrárias

Os sujeitos veem, mas não observam,

Leem, mas nada interpretam;

Vivem com medo do fim,

Perdem-se atrás de um serafim.


Buscam sem saber aonde,

Caçam sem saber o quê;

Adoram o altar da mesmice,

Rendem-se ao próprio desdém.


Ruminam ideias vazias,

Fingem que pensam profundo;

Ego inflado, gesto miúdo,

Fé exacerbada, pouco estudo.


Vestem-se de púrpura, chorosos,

Entoam hinos de glória melancólica;

E o véu sagrado lhes tampa os olhos,

Para a realidade porta afora.


Abraçados à Summa Theologica,

Que o próprio autor queimaria,

Pois, não vendo nela apreço lógico,

Em mistério divino tudo concluiria.


Fogem do novo, qual diabo da cruz,

E odeiam tudo que lhes é contrário.

Preocupam-se com a cor de Jesus,

E assim temem Ários novos.


Ergam, pois, seus tronos de tolice,

Que, com facilidade os desfaço,

Provo que a ideia é engano,

E que não passam de otários.


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