Os sujeitos veem, mas não observam,
Leem, mas nada interpretam;
Vivem com medo do fim,
Perdem-se atrás de um serafim.
Buscam sem saber aonde,
Caçam sem saber o quê;
Adoram o altar da mesmice,
Rendem-se ao próprio desdém.
Ruminam ideias vazias,
Fingem que pensam profundo;
Ego inflado, gesto miúdo,
Fé exacerbada, pouco estudo.
Vestem-se de púrpura, chorosos,
Entoam hinos de glória melancólica;
E o véu sagrado lhes tampa os olhos,
Para a realidade porta afora.
Abraçados à Summa Theologica,
Que o próprio autor queimaria,
Pois, não vendo nela apreço lógico,
Em mistério divino tudo concluiria.
Fogem do novo, qual diabo da cruz,
E odeiam tudo que lhes é contrário.
Preocupam-se com a cor de Jesus,
E assim temem Ários novos.
Ergam, pois, seus tronos de tolice,
Que, com facilidade os desfaço,
Provo que a ideia é engano,
E que não passam de otários.
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