WATCH THE GAP
(Para Gerald Thomas)
No chão está a inscrição:
"Watch the gap" — é o aviso,
Um buraco no caminho,
Entre o trilho e o destino.
Esse espaço que é vazio,
Mas carrega a decisão,
Entre o salto e o recuo,
Entre o medo e a decisão.
Olhe bem para o abismo,
"Do not fall, do not despair,"
Mas ao fitar o vazio,
Ele olha pra você, there.
O sujeito e sua angústia,
Diante de mil escolhas,
Entre o passo e o silêncio,
Entre o chão e as estrelas.
"Watch the gap," diz a estação,
Enquanto a vida ecoa como um trem,
Pois no vão de cada escolha
Há um mundo que a contém.
O que há entre esses trilhos,
Entre o ser e o tornar-se?
É o nada que nos guia
Ou a força de enfrentar-se?
Trilhos para atritos, faíscas e estopins,
Para correr a carga da existência,
Para tornar-se algo no próprio existir,
E brilhar no cosmos, sua pura essência.
"Mind the gap," o pensamento é consorte.
Como buzina, um grito ao além-mar,
Que pede ao ser seu passaporte,
Para enfim lhe recordar:
O trem se encaminha à morte,
E não há como descer ou parar.
Mas o abismo é o próprio norte,
E o salto permite a si mesmo alcançar.
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