terça-feira, 3 de dezembro de 2024

O Movimento

No princípio,

não havia forma.

Era tudo pulsação,

força sem contorno,

um grito em espera.


O verso, inquieto,

rompeu silêncios.

Dobrou o espaço,

esticou o tempo,

e dançou na folha branca.


Palavras se chocaram,

como faíscas na noite.

Do atrito, o fogo;

do fogo, a ideia;

da ideia, o mundo.


Mas o mundo não cessa.

Avança, recua,

inventa e destrói.

O poema é vida,

e vida é movimento.


E se ao fim há um descanso,

é no ritmo do compasso:


Nasce o sonho, toma forma,

vida em luta que transforma.

Segue o verso, em tom preciso,

sai da ordem, cria o riso.

Tudo é ciclo, eterno afã,

muda o mundo, faz o amanhã.

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