No princípio,
não havia forma.
Era tudo pulsação,
força sem contorno,
um grito em espera.
O verso, inquieto,
rompeu silêncios.
Dobrou o espaço,
esticou o tempo,
e dançou na folha branca.
Palavras se chocaram,
como faíscas na noite.
Do atrito, o fogo;
do fogo, a ideia;
da ideia, o mundo.
Mas o mundo não cessa.
Avança, recua,
inventa e destrói.
O poema é vida,
e vida é movimento.
E se ao fim há um descanso,
é no ritmo do compasso:
Nasce o sonho, toma forma,
vida em luta que transforma.
Segue o verso, em tom preciso,
sai da ordem, cria o riso.
Tudo é ciclo, eterno afã,
muda o mundo, faz o amanhã.
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