Sobe a corda, desce o vulto,
um deus que paira sobre o enredo,
desfaz o nó, desfaz o insulto,
resolve a trama, dissolve o medo.
Entre os mortais, a cena tensa,
o caos estala, o drama inflama.
Mas eis que surge a força imensa,
do alto, máquina proclama.
Um guindaste alça o impossível,
sua engrenagem risca o céu.
A solução, tão inconcebível,
é ofertada, um justo véu.
De artifício nasce o mito,
do palco à vida, o improvável.
O homem, inventor bendito,
transforma o irreal, palpável.
O deus que desce, engenho e arte,
sua existência é obra humana.
De Eurípides até Descartes,
máquina que o mundo emana.
Que seja o aço o nosso canto,
e o guindaste, nosso altar,
pois é do artifício, o encanto,
que a trama há de se aclarar.
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