terça-feira, 3 de dezembro de 2024

Deus ex Machina

Sobe a corda, desce o vulto,

um deus que paira sobre o enredo,

desfaz o nó, desfaz o insulto,

resolve a trama, dissolve o medo.


Entre os mortais, a cena tensa,

o caos estala, o drama inflama.

Mas eis que surge a força imensa,

do alto, máquina proclama.


Um guindaste alça o impossível,

sua engrenagem risca o céu.

A solução, tão inconcebível,

é ofertada, um justo véu.


De artifício nasce o mito,

do palco à vida, o improvável.

O homem, inventor bendito,

transforma o irreal, palpável.


O deus que desce, engenho e arte,

sua existência é obra humana.

De Eurípides até Descartes,

máquina que o mundo emana.


Que seja o aço o nosso canto,

e o guindaste, nosso altar,

pois é do artifício, o encanto,

que a trama há de se aclarar.

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