A folha que o vento leva,
não volta ao mesmo lugar;
é o tempo que lhe enterra,
o que noutra forma há de voltar.
O rio que escorre ao longe,
não guarda o que já passou;
sua pressa então esconde
o que a corrente levou.
Na chama que o lume alcança,
há cinzas por descobrir;
a vida é breve esperança
que arde para se extinguir.
O chão que hoje me sustenta,
um dia será mais pó;
e a carne que me alimenta
vem de um animal morto.
Se tudo é fim e começo,
sou barco em pleno torvelho.
Na mudança me confesso,
sou o instante diante do espelho.
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