terça-feira, 3 de dezembro de 2024

Impermanência

A folha que o vento leva,

não volta ao mesmo lugar;

é o tempo que lhe enterra,

o que noutra forma há de voltar.


O rio que escorre ao longe,

não guarda o que já passou;

sua pressa então esconde

o que a corrente levou.


Na chama que o lume alcança,

há cinzas por descobrir;

a vida é breve esperança

que arde para se extinguir.


O chão que hoje me sustenta,

um dia será mais pó;

e a carne que me alimenta

vem de um animal morto.


Se tudo é fim e começo,

sou barco em pleno torvelho.

Na mudança me confesso,

sou o instante diante do espelho.

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