quinta-feira, 5 de dezembro de 2024

Noite Escura

Noite escura, céu sem astros,

Vento corta a mata densa;

Tudo é vasto, tudo é vago,

Em meu peito a calma imensa.


Sou a ponte e sou o rio,

Que nunca é o mesmo ao passar;

Talvez me apareça uma onça 

A qual possa abraçar .


Aqui há ordem, há destino:

O rio corre ao grande mar,

Folhas buscam luz divina,

Tudo encontra o seu lugar.


E eu, perdido, aqui me encontro,

Para nas águas me lançar;

Nos abismos da existência,

Reaprendo o meu lugar.


Rumo ao fundo, na cadência,

De uma essência mais serena,

Vejo o reflexo na corrente,

De quem sou—minha cena plena.


E quando o coração transborda,

Eu me torno o que há de ser:

Carne, verbo, luz disforme,

Aquietado em meu viver.

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