Noite escura, céu sem astros,
Vento corta a mata densa;
Tudo é vasto, tudo é vago,
Em meu peito a calma imensa.
Sou a ponte e sou o rio,
Que nunca é o mesmo ao passar;
Talvez me apareça uma onça
A qual possa abraçar .
Aqui há ordem, há destino:
O rio corre ao grande mar,
Folhas buscam luz divina,
Tudo encontra o seu lugar.
E eu, perdido, aqui me encontro,
Para nas águas me lançar;
Nos abismos da existência,
Reaprendo o meu lugar.
Rumo ao fundo, na cadência,
De uma essência mais serena,
Vejo o reflexo na corrente,
De quem sou—minha cena plena.
E quando o coração transborda,
Eu me torno o que há de ser:
Carne, verbo, luz disforme,
Aquietado em meu viver.
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