Há um canto escondido em cada ser,
um véu de sombras, um porquê.
No palco claro, o que querem ver,
mas na penumbra, o lado "B".
Como a lua que se vira de costas,
mostrando ao sol só a face aceita,
há mundos em nós, histórias propostas,
na parte oculta que ninguém suspeita.
Um eco sussurra no breu do peito,
estrada sem mapa, mas que é lar.
Quem vê o brilho não sente o defeito,
quem busca o escuro aprende a amar.
Pois tudo que é mistério, é potência,
é vastidão que se faz pulsar.
Na face velada mora a essência,
no desconhecido, o verbo sonhar.
Reverencio o que não entendo,
o não dito, o que insiste em calar.
Na curva da alma, sigo aprendendo:
o lado escuro também sabe brilhar.
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