terça-feira, 3 de dezembro de 2024

Azul-Índigo

Não é azul, nem roxo,

não cabe no nome que lhe dão.

É quase,

um entre,

um talvez.


Se estende no céu

como um suspiro do sol que se foi,

e nos olhos do dia que vacila.

Desdobra-se em véus,

um rastro de cor que não quer ser presa,

apenas azul-índigo.


Não se pode dizer índigo.

Dizer é menor que sentir.

É mais como um silêncio que paira,

um olhar que atravessa o instante

e deixa o mundo em suspenso.


Se há beleza,

é porque escapa,

é porque se desfaz no toque,

como o eco do mar nas nuvens.

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