quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

Deslubramento

Dormem todos sob o véu do costume,

de olhos fechados, seguem a vida,

não veem o brilho que o mundo resume,

nem ouvem a música que o ar partilha.


Pisam na terra, mas sem percebê-la,

correm no tempo, sem lhe dar valor;

vivem na pressa que cega a janela,

ignorando a vida ao seu redor.


Mas há os poucos, raros, despertos,

que olham o céu com o peito aceso,

veem no vazio os mistérios certos,

e vivem do mundo o puro desejo.


Esses deslumbram-se, sem se cansar,

pois tudo é novo a quem sabe olhar.

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