Deus põe a pedra, e o homem, a moldura,
cava na rocha formas do infinito,
dá nome ao caos, inventa a escritura,
e no vazio escreve o seu mito.
Põe Deus no alto, em tronos de quimera,
mas é da carne que lhe dá sentido;
cria-o à sua imagem, e assim opera
um deus que vive do humano perdido.
Religião, um espelho em névoa densa,
legitima a ordem que o homem reclama;
mas na fumaça dessa crença imensa,
o fogo queima onde o homem trama.
Se Deus existe, é só projeção:
a máscara feita por sua mão.
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