O corpo e a alma são a mesma coisa,
unidos no conflito que os consome;
a carne, no instinto, busca a ausência,
a alma, o alto céu, que nunca some.
Quisera ser constante em minha essência,
ser puro, animal ou anjo, imutável;
mas sou livre, e esta é a minha queixa,
que erro e me refaço, indefinível.
Viver conforme a alma, em harmonia,
sem ceder à matéria e seus reclames,
é o desafio ao qual Deus se desafia.
Pois sob o véu desse dito livre-arbítrio,
estamos todos presos à mesma agonia:
de esculpir-se sem a forma que o defina.
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