quinta-feira, 14 de novembro de 2024

Olhos de Cão

Nessa confusão, meus olhos de cão

Observam o fio da vida se fiar,

Como canção que pretende ao violão,

Na madrugada, para a lua quer uivar.


Mas os olhos de cão, diabólico

Atentos ao escuro, à dor e ao erro,

Veem o que o homem nunca ousaria:

O abismo que se esconde no espelho.


Meu mundo, um deserto a caminhar:

Trabalho, cotidiano; sonhos, lazer;

Mapas, candeeiros; pássaros e suas rotas.

Tanta possibilidade, tudo a se fazer.


Mas os olhos de animal, atentos ao nada,

Veem o que o humano não quer ver:

O que se perde no ritmo da estrada,

E o que se encontra, sem saber o porquê.


O acaso só é possibilidade não percebida,

O barroco invisível aos olhos da gente,

Que procura sempre, para tudo, a melhor saída,

E se vê acorrentado, como cão, tão de repente.

Nenhum comentário:

Postar um comentário