Amor: essa palavra de luxo
E como o luxo, tantas vezes vã,
Que sobre o significado absurdo
Se ausenta, ainda que sobre o divã.
Amor: essa palavra que diz,
À toa, banal ou radiante e bela;
Nunca diz, e quando, por um triz,
Falta dizer, tenta, mas sempre erra.
Os amores, filósofos catalogaram;
Outros viveram em romances,
Outros, ainda, mal lograram,
Tendo-os à vista, mas distantes.
Sobre a palavra, teses e antíteses,
Sobre o sentir, não é possível dizer
Ou, ao menos, tecer precisas sínteses,
Ainda que, com todo o coração, querer.
Amor é uma coisa para os gestos,
Para as ações e reações da vida,
Que, como a natureza, silencia
Para só então cantar seus versos.
Versos que só se pode ouvir,
Parando tudo o que há para fazer,
Tendo o coração diante de si,
Como no instante de morrer.
Versos que apenas se compreende
Por um instante, e depois outro,
Ao amar, assim, tão de repente,
Matar a sede e se afogar no poço.
Como se na travessia de um portal,
Caminho elementar para viver;
Sem o qual, tudo seria alfabeto e numeral,
E um poema bastaria para dizer:
Ama-se aquilo que se pode perder,
Ama-se aquilo que desejas ser,
Ama-se, ama-se e ama-se.
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