terça-feira, 5 de novembro de 2024

Amor: palavra de luxo

Amor: essa palavra de luxo

E como o luxo, tantas vezes vã,

Que sobre o significado absurdo

Se ausenta, ainda que sobre o divã.


Amor: essa palavra que diz,

À toa, banal ou radiante e bela;

Nunca diz, e quando, por um triz,

Falta dizer, tenta, mas sempre erra.


Os amores, filósofos catalogaram;

Outros viveram em romances,

Outros, ainda, mal lograram,

Tendo-os à vista, mas distantes.


Sobre a palavra, teses e antíteses,

Sobre o sentir, não é possível dizer

Ou, ao menos, tecer precisas sínteses,

Ainda que, com todo o coração, querer.


Amor é uma coisa para os gestos,

Para as ações e reações da vida,

Que, como a natureza, silencia

Para só então cantar seus versos.


Versos que só se pode ouvir,

Parando tudo o que há para fazer,

Tendo o coração diante de si,

Como no instante de morrer.


Versos que apenas se compreende

Por um instante, e depois outro,

Ao amar, assim, tão de repente,

Matar a sede e se afogar no poço.


Como se na travessia de um portal,

Caminho elementar para viver;

Sem o qual, tudo seria alfabeto e numeral,

E um poema bastaria para dizer:


Ama-se aquilo que se pode perder,

Ama-se aquilo que desejas ser,

Ama-se, ama-se e ama-se.

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