A chama ardendo em fogo, caracteres em cinzas,
Retornam das sombras, num novo Gilgamesh.
São letras reerguidas de longas ruínas,
Horizontes tenros onde o velho é refém.
O Tempo, o editor mais antigo do mundo,
Revira as tábuas guardadas sob a poeira.
Da floresta esquecida, um eco profundo:
Macacos, corte, canção — uma cena inteira.
Era ogro ou rei? Quem já sabia, errou.
Humbaba ganha agora outra face e traje,
E, aos ventos da História, seu rosto mudou,
Nos tabuleiros velados em viagem.
Um dilúvio, narrado em tábuas, sobrevive,
Onda ancestral que os homens, depois, reescreveram;
Tantas vezes recai a lenda em nova rive,
E a arca ressurge dos mitos que a teceram.
São vesúvios, os achados do que se oculta,
Onde o mito dorme, lento, quase extinto.
Pois cada novo fragmento em lume exulta,
E à origem primeira retorna o instinto.
Assim a poeira recai, feito cinza a soprar,
Onde o épico finda, começa o resgate.
O antigo se ergue, num tempo a se desdobrar,
E o verso perdido, de novo, nos arrebate.
https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2024/08/inteligencia-artificial-acelera-reconstrucao-da-epopeia-de-gilgamesh.shtml
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