quinta-feira, 24 de outubro de 2024

Flâneuse

Ela caminha as ruas; a brisa a leva em dança,

Nos passos que inventou, o céu se abre ao sol.

Do tédio se despede, e a vida já avança;

É vento, é correnteza, é rumo e arrebol.


A cidade é um porto que deixa sem lamento;

Há mares a chamar, promessas de esplendor.

Nos ecos do passado, ela rompe o firmamento;

Agora é marítima, é força e é torpor.


Em cada praça e rua, brotam sonhos, enganos,

O mundo é uma linha, e ela segue em contramão.

Escreve os próprios versos; e a si os declama.


Não é costela; é ventre, a gênese infinda,

Mulher, inicio e fim, bandeira e estandarte;

Criatura criadora, vai livre a desvendar-te.

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