Para viver fiel a algo digno e belo,
E criticar o mundo com desenvoltura,
Escolhi o oposto do caminho fácil,
A senda rara, em calma e sem censura.
Diante do vulgar, do efêmero embate,
Onde correm todos, insensatos que são,
Resolvi desviar, ir leve e despido
Das pressas tolas, dos aplausos vãos.
Para fustigar o mundo com nobreza,
Cedi ao diabo a dança da ironia;
Contra o reles jugo, a falsa certeza,
Queimei o céu, enquanto o fogo vestia.
Escolha minha é ser ponte e ruptura,
Viver à margem, em estado avulso;
Que os outros se percam em torpe moldura,
Eu me refaço, num livre impulso.
Pois nada mais sublime que o passo firme,
Contra as verdades frágeis deste enredo;
Na elegância alço o intento sublime
De desafiar o mundo e revelar-me a mim mesmo.
Pois, ainda floresce no jardim epicurista
Fragrância pura que à esperança acena,
Onde a beleza, embora à dor se assista,
Permite o céu pueril que nos serena.
Assim, neste mundo de pressa insensata,
Cultivo o brilho da vida altiva,
Uma escolha austera, luz que retrata
O valor da vida em cada investida.
Em meio ao ruído de uma era inapta,
Surge um novo ser, com olhar afiado,
O que há de Helenas em Tróias rapta,
E, com desenvoltura, torna-se sagrado.
Rejeita o comum, o caminho predestinado,
Em busca do novo, da essência perdida.
Nas sombras do mundo, vê o desencanto,
Mas, na luz da elegância, tece sua crítica.
Em cada passo, um manifesto audaz,
Desafia as classes, no olhar altivo.
E percebe o frágil engano voraz
Nos alicerces desse ideal cativo.
Eleva ao belo o gesto útil,
Com estilo, rejeita a prosa imprecisa;
Na elegância, o manifesto sutil
Ao efêmero — e um paraíso precisa.
O jovem se aparta do vão e vazio,
Numa dança de ideias, refuta o banal;
O mundo critica, com verbo bravio,
E, em solidão, consagra-se imortal.
Assim, seu canto é ode à beleza,
Um hino ao íntimo e ao ser profundo;
E ao arcar com o fado, vê com clareza
Que o poder de criar transcende este mundo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário