Sei bem do que fujo, mas não o que busco
Não sou bobo da corte, mas não sou mudo;
É mais fácil ser virtuoso num século sujo,
Onde corta, ainda que sem corte, o que eu digo.
Não sou filósofo, nem o Santo de Assis,
Sem saber discernir entre o belo e o vil;
Mas quem anunciou a revolução de Paris,
Sei que foram os indígenas do Brasil.
Hoje em dia as coisas continuam mal:
Fazem rir não as loucuras, mas sim os tratados,
As democracias, os imperadores e os pontificados.
Nessa confusão em que me encontro, mas não saio,
Canto uma canção para a multidão, escrevo um ensaio,
Assobio algo e lavo minhas mãos, feito Pôncio Pilatos.
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