terça-feira, 2 de julho de 2024

Ensaio

Sei bem do que fujo, mas não o que busco

Não sou bobo da corte, mas não sou mudo;

É mais fácil ser virtuoso num século sujo,

Onde corta, ainda que sem corte, o que eu digo.


Não sou filósofo, nem o Santo de Assis,

Sem saber discernir entre o belo e o vil;

Mas quem anunciou a revolução de Paris,

Sei que foram os indígenas do Brasil.


Hoje em dia as coisas continuam mal:

Fazem rir não as loucuras, mas sim os tratados,

As democracias, os imperadores e os pontificados.


Nessa confusão em que me encontro, mas não saio,

Canto uma canção para a multidão, escrevo um ensaio,

Assobio algo e lavo minhas mãos, feito Pôncio Pilatos.

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