sexta-feira, 31 de maio de 2024

Os não-tolos vagueiam errantes

Aqueles de elevado espírito, calcados na contradição,

insubmissos ao inconsciente, elevados à suprassunção,

negam o ilógico, o tolo, fazendo dele o seu "imoral"

e sentam-se no trono de deus, cientes do bem e do mal.


Então, os não-pat(h)os vagueiam errantes, assim deve ser,

eternos andarilhos buscando algo a pertencer.

Não possuem lugar certo, pois em morada alheia

desejam a vida cientes da morte, e o céu, a morar na terra.


Ocupam o lugar divino, em sua indiferença,

na contradição de não fazer nada,

apresentando assim uma sentença,

ao acaso feita, nova sina anunciada.


Veem demais, de forma a doer os olhos,

em tudo reparam, e tudo absorvem,

algo sempre podem dizer, mas

vivem essencialmente sozinhos.


Indefinidos, entre animais e anjos,

tornam-se inadequados, insujeitos.

Filiam-se assim a um "Saint-Thomas",

a se perder em si, eternos Ulysses.


Seguem a sós um perpétuo luto,

a seguir seu próprio destino,

de não-tolo a vagar errante,

pois em um mundo caduco.




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