Passam-se os anos como ondas no mar,
Seguem-se os dias, horas a fio, a sonhar.
Quem sabe, encontre a certeza em dia incerto,
Quem sabe, a paz possa nascer em meu peito.
Talvez tenha nascido errado, mal feito,
Talvez bem feito demais, para um mundo vão.
Por isso, tanto desejo em um só peito,
Por isso, tanta angústia em um só coração.
No entanto, se diante de tudo só o que resta é o gesto,
Aquilo que passa ligeiro diante de olhos desatentos,
Falhando a linguagem, que impõe os limites desse mundo,
a seguir presos meu olhar solto, julgando-o a todo momento.
Talvez, e por isso mesmo, não deva preocupar-me.
Se tudo é vaidade, se a saudade, se o céu me angustiar,
Não se curvar diante do efêmero fugaz, eis o charme,
Resta ser o que sou e, no gozo e na dor, me abraçar.
Ao longe, o horizonte chama, seduz,
Prometendo respostas no abraço da noite.
É no silêncio das estrelas que a alma reluz,
Desvendando mistérios, aliviando o açoite.
Deixar fluir, sem medo do amanhã incerto,
Abraçar o agora, sem temer o que há de vir.
Pois é na dança dos dias, no caminho aberto,
Que a essência se encontra, no eterno existir.
O tempo, maestro da sinfonia da vida,
Orquestra momentos de alegria e dor.
E é na aceitação, na entrega sentida,
Que o coração encontra seu verdadeiro valor.
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