Em densas sombras, qual esfinge, o galo canta,
Seu triste fado ao despontar do dia,
Anunciando a traição que o peito encontra,
Num mundo de usura, onde impera a vilania.
Judas, qual burguês, torna-se o cristo,
Multidões a segui-lo rumo à glória,
E a moeda reluz em mãos enfermas,
No artifício de vender honra por prata,
Oh traição, oh mundo tolo e desmedido,
Onde o amor sucumbe ao uso e a trapaça,
E a virtude custa a vida ao virtuoso,
Que ao buscar justiça assina sua desgraça.
Assim, sou como o galo que anuncia com desgosto,
Um mundo inteiro que na ganância se definha,
À espera de um deus à sua imagem e semelhança,
Que à vista disso, também tudo destruiria
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