terça-feira, 4 de junho de 2024

O triste terceiro cantar do galo

Em densas sombras, qual esfinge, o galo canta,

Seu triste fado ao despontar do dia,

Anunciando a traição que o peito encontra,

Num mundo de usura, onde impera a vilania.


Judas, qual burguês, torna-se o cristo,

Multidões a segui-lo rumo à glória,

E a moeda reluz em mãos enfermas,

No artifício de vender honra por prata,


Oh traição, oh mundo tolo e desmedido,

Onde o amor sucumbe ao uso e a trapaça,

E a virtude custa a vida ao virtuoso,

Que ao buscar justiça assina sua desgraça.


Assim, sou como o galo que anuncia com desgosto,

Um mundo inteiro que na ganância se definha,

À espera de um deus à sua imagem e semelhança,

Que à vista disso, também tudo destruiria

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