Dando a volta por cima
Outrora, a volta por baixo
A vida indo e vindo
Em círculos, roda-viva.
Eis o escafandrista
No fundo do mar vazio
Rompe o silêncio anil
Não recebe anistia.
Caminha a esmo o ermitão
Dispara contra ele a memória
Eis a condição, ter vazias as mãos
E a cabeça radiantemente cheia.
Dança, a vida é bela
Repara a esperança
Tardes, infinitas, singelas
Beija tua garota, transe na beira do rio.
A noite é infinita, mais bela morada
A lua te vê e bendiz
Rapaz-angústia, beleza triste
Beija a ti mesmo, infeliz narcisista.
Tua consciência é tudo
Tua linguagem, teu mundo
Conversas mudo, pois sozinho
E ainda sozinho, infinito.
Peito de luar, afogado em mar
E afagado em seios e cheiros femininos
Encontra tua paz no agito sem término
Vive nesse tempo a eternidade.
Dando a volta por cima
Outrora a volta por baixo
Encontrando caminhos
Nas curvas do corpo feminino.
Angústia ali não existe
Não existe dor qualquer.
Tudo se apazigua
Na presença de uma mulher.
2)
O meu amor sabe me amar
Me põe na mesa, já de manhã
Meu sutiã, a desabotoar
Junto da sobremesa de maçã.
Me leva na mão, cuida de mim
Me leva no colo, despe-me
Eu o adoro assim, com todo fulgor
Em cima de mim, em fogo e amor.
Assim, por cima
Outrora, por baixo
Se entrelaçam os desejos
Em laço, quem sabe um nó.
O mundo lá fora
Segue em suas voltas
Mas os corpos indo e vindo
Tornam-se uma coisa só.
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