segunda-feira, 20 de maio de 2024

Dando a volta por cima

Dando a volta por cima

Outrora, a volta por baixo

A vida indo e vindo

Em círculos, roda-viva.


Eis o escafandrista

No fundo do mar vazio

Rompe o silêncio anil

Não recebe anistia.


Caminha a esmo o ermitão

Dispara contra ele a memória

Eis a condição, ter vazias as mãos

E a cabeça radiantemente cheia.


Dança, a vida é bela

Repara a esperança

Tardes, infinitas, singelas

Beija tua garota, transe na beira do rio.


A noite é infinita, mais bela morada

A lua te vê e bendiz

Rapaz-angústia, beleza triste

Beija a ti mesmo, infeliz narcisista.


Tua consciência é tudo

Tua linguagem, teu mundo

Conversas mudo, pois sozinho

E ainda sozinho, infinito.


Peito de luar, afogado em mar

E afagado em seios e cheiros femininos

Encontra tua paz no agito sem término

Vive nesse tempo a eternidade.


Dando a volta por cima

Outrora a volta por baixo

Encontrando caminhos

Nas curvas do corpo feminino.


Angústia ali não existe

Não existe dor qualquer.

Tudo se apazigua

Na presença de uma mulher.


2)


O meu amor sabe me amar

Me põe na mesa, já de manhã

Meu sutiã, a desabotoar

Junto da sobremesa de maçã.


Me leva na mão, cuida de mim

Me leva no colo, despe-me

Eu o adoro assim, com todo fulgor

Em cima de mim, em fogo e amor.


Assim, por cima

Outrora, por baixo

Se entrelaçam os desejos

Em laço, quem sabe um nó.


O mundo lá fora

Segue em suas voltas

Mas os corpos indo e vindo

Tornam-se uma coisa só.


Nenhum comentário:

Postar um comentário