Eis a Mulher, o Muro e o Mundo,
E eis-me eu, diante de tudo,
Eis o aleatório, o absurdo.
A palavra a ser burilada,
E o verbo a se fazer carne,
Cartas dadas.
Segue um Pau de Arara,
Carro de Boi, carroça e cavalos,
Segue uma Caravana.
Com eles me vou,
Rumo ao desconhecido,
Ao devir e ao perecer.
Na Caravana de São João,
Na fuga do criador,
Em busca do ser.
Caravana feito diáspora,
De todo um povo comum,
Em gênero e gênese.
De melancólica calma,
Sem líder algum,
Guiados pela natureza.
Segue os passantes,
Com sede e fome,
Mas sem apetites.
Cabeças baixas,
Olhos atentos,
Rostos tristes.
Braços para trás,
E as mãos, muito calejadas,
Se cumprimentam nas costas.
Segue a pequena multidão,
Entoando a oração
De São Francisco.
Desde menino eu procuro,
E muito cedo tive a visão,
Ainda míope, de longe avisto.
Suba logo quem vier,
Pois, eis o tempo
Dos cativos.
Esses que carregam
A alma consigo,
Para onde vão.
Segue então
A Caravana de São João,
Rumo ao sertão.
Rumo ao inferno
Delicioso
Da solidão.
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