terça-feira, 23 de janeiro de 2024

Caravana de São João

Eis a Mulher, o Muro e o Mundo,

E eis-me eu, diante de tudo,

Eis o aleatório, o absurdo.


A palavra a ser burilada,

E o verbo a se fazer carne,

Cartas dadas.


Segue um Pau de Arara,

Carro de Boi, carroça e cavalos,

Segue uma Caravana.


Com eles me vou,

Rumo ao desconhecido,

Ao devir e ao perecer.


Na Caravana de São João,

Na fuga do criador,

Em busca do ser.


Caravana feito diáspora,

De todo um povo comum,

Em gênero e gênese.


De melancólica calma,

Sem líder algum,

Guiados pela natureza.


Segue os passantes,

Com sede e fome,

Mas sem apetites.


Cabeças baixas,

Olhos atentos,

Rostos tristes.


Braços para trás,

E as mãos, muito calejadas,

Se cumprimentam nas costas.


Segue a pequena multidão,

Entoando a oração

De São Francisco.


Desde menino eu procuro,

E muito cedo tive a visão,

Ainda míope, de longe avisto.


Suba logo quem vier,

Pois, eis o tempo

Dos cativos.


Esses que carregam

A alma consigo,

Para onde vão.


Segue então

A Caravana de São João,

Rumo ao sertão.


Rumo ao inferno

Delicioso

Da solidão.

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