"Como Seria Explodir Um Amor Tão Concreto Duro De Partir?”. Não faço ideia, mas eis, de fato, um artista fora da curva, que mudou o tom e está à altura dessa questão. Conheci-o através do Mestre Nildo Ouriques que não recomenda nada à toa e apresentou essa obra de forma apologética.
Luizinho Lopes originário de Pirapora-MG, radicado em Juiz de Fora-MG, graduou-se em Engenharia Civil pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Em 2007, concluiu a pós-graduação na primeira turma de Cinema Documentário da Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro. Iniciou sua carreira musical no final dos anos 70, integrando o grupo Vértice de Juiz de Fora.
O artista carrega uma história que justifica seus méritos. As composições de Luizinho transcendem a trivialidade dos dias contemporâneos, coqueteando com a essência refinada da nossa música popular, sem sucumbir a mera imitação ou repetição. Outro álbum que me arrebatou foi "Dossiê40 (Ao vivo)". A genialidade encontra suporte em arranjos que conferem um movimento dançante às palavras.
Reconheci diversas referências que ele deixou no ar - ou aos pés da dona - para quem for capaz, e imagino que deva haver outras tantas que deixei passar. Isso escancara a dimensão de sua cultura, vocabulário, ou seja, o tamanho de seu mundo, a ser apresentado. Dos joelhos de deus ao enigma da esfinge, dos faróis das avenidas engolindo as trevas ao sertão do coração, Luizinho é um instrumentista, cantador e filósofo, direciona aporias, charadas, questões para as quais não há respostas, nessa contradição que faz doer o peito em um ritmo que convida a dançar. Mas, como disse o poeta, o remédio está no verso, vide bula.
Estou profundamente encantado.
A recomendação permanece.
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