sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023

Zênite da juventude

Quero ver o que há debaixo

do vestido dessa moça.

Ela me tira do sério,

já sendo uma senhora.


Como me arrasta o olhar,

um rabo de saia!

Eu não posso acabar

assim com essa tara.


Como arde essa pulsão,

tão óbvia e súbita, de jovem,

embriaguez de perder a noção

no brilho da mulher, tal qual clarão.


Esse desejo agudo de viver

faz invejar os deuses pela sede

de beber do próprio querer

e se extasiar do desejo sem fim.


De querer mergulhar no corpo,

de sentir o gosto da mulher.

Eis a lei e a ordem, o jugo,

para se obedecer com gosto.


Ponto alto da idade de moço,

desejo que me aquece os olhos,

morada do corpo inquieto

que só encontra paz no alvoroço.


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