Creio que vejo nos livros uma companhia
Agora, deitado no chão gelado reflito:
Quando tudo acaba é com eles que fico,
Meus mais fiéis, compreensivos amigos
Quando me percebo sozinho, nesse chão
Eles me acompanham e fazem companhia
Entre as multidões também estão comigo
Mas trata-se da minha condição, a solidão
Pra que esse desejo imenso de ser ouvido?
Por que não calar, fechar-se consigo
Eis a questão, eis a angústia
Entre a mulher amada e o retiro
Eis a confusão, eis a busca!
Incessante e inerente à natureza
Contrariá-la: eis a destreza!
Ou será: enfim, nada?
Aquieto-me e volto a leitura
A resposta permanece obscura
O livro também não me responderá
Mas a literatura me acompanha na angústia
Em histórias que outros estão a contar
Tristezas, emoções, sabores e aventuras
Outros tempos, estações,
Dores, doces e travessuras
Cada qual em seu caminho, seguimos
Sem saber como ou para onde
Sem saber se o caminho é curto
Ou se findará longe
Sabemos apenas, que devemos seguir
O tempo, narrador do mistério, dirá
Até lá, o ser e o tempo terão de se unir
Sempre prestes a descobrir
o que será que será
Nenhum comentário:
Postar um comentário