sábado, 11 de março de 2023

Os livros


Creio que vejo nos livros uma companhia

Agora, deitado no chão gelado reflito:

Quando tudo acaba é com eles que fico,

Meus mais fiéis, compreensivos amigos


Quando me percebo sozinho, nesse chão

Eles me acompanham e fazem companhia

Entre as multidões também estão comigo

Mas trata-se da minha condição, a solidão 


Pra que esse desejo imenso de ser ouvido?

Por que não calar, fechar-se consigo

Eis a questão, eis a angústia 

Entre a mulher amada e o retiro 


Eis a confusão, eis a busca!

Incessante e inerente à natureza

Contrariá-la: eis a destreza!

Ou será: enfim, nada?


Aquieto-me e volto a leitura 

A resposta permanece obscura 

O livro também não me responderá 

Mas a literatura me acompanha na angústia


Em histórias que outros estão a contar

Tristezas, emoções, sabores e aventuras

Outros tempos, estações, 

Dores, doces e travessuras

 

Cada qual em seu caminho, seguimos

Sem saber como ou para onde 

Sem saber se o caminho é curto

Ou se findará longe


Sabemos apenas, que devemos seguir

O tempo, narrador do mistério, dirá 

Até lá, o ser e o tempo terão de se unir

Sempre prestes a descobrir 

o que será que será 






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