Aqui nos trópicos as coisas andam mal
Já é verão e o calor derrete a gente
Bem que fizeste em ir a Portugal
Onde o fado acalenta triste e contente
Também temos o samba, a bossa, o choro
Mas aí de nós! e mais ainda dos artistas!
A política daqui, produz cruel desgosto
Faz falta um presidente culto e socialista
Claro que a liberdade guia o povo
E claro que é lindo esse discurso
Mas demos ele a nosso algoz
E agora assistimos o absurdo
O ridículo tomou o poder
Enquanto o culto é espectador
Como o filósofo não deseja ser rei
Debatemos a luta entre ódio e amor
Por isso que não concordo com que dizes
“Liberdade para todos, e para tudo;
Deixe ao povo impor seus limites”
E viva então o próprio fim do mundo
Há de ser imposto os limites da virtude
Senão dos vícios seremos todos reféns
Do contrário não há ordem nem progresso
Onde tudo é permitido, mas nada convém
Portanto creio na lógica da retórica
Que fixe critérios éticos e morais
Sem os quais não há dialética
Só começos soltos, sem finais
É preciso atrelar a consciência
E tornar orgânico as conclusões
Do contrário não haverá ciência
Apenas tristes e histéricas ilusões
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