terça-feira, 7 de fevereiro de 2023

Contra Bertoche (sobre a liberdade de expressão e democracia)


Aqui nos trópicos as coisas andam mal

Já é verão e o calor derrete a gente

Bem que fizeste em ir a Portugal

Onde o fado acalenta triste e contente


Também temos o samba, a bossa, o choro

Mas aí de nós! e mais ainda dos artistas!

A política daqui, produz cruel desgosto

Faz falta um presidente culto e socialista


Claro que a liberdade guia o povo

E claro que é lindo esse discurso

Mas demos ele a nosso algoz

E agora assistimos o absurdo


O ridículo tomou o poder

Enquanto o culto é espectador

Como o filósofo não deseja ser rei

Debatemos a luta entre ódio e amor


Por isso que não concordo com que dizes

“Liberdade para todos, e para tudo;

Deixe ao povo impor seus limites”

E viva então o próprio fim do mundo


Há de ser imposto os limites da virtude

Senão dos vícios seremos todos reféns

Do contrário não há ordem nem progresso

Onde tudo é permitido, mas nada convém


Portanto creio na lógica da retórica

Que fixe critérios éticos e morais

Sem os quais não há dialética

Só começos soltos, sem finais


É preciso atrelar a consciência

E tornar orgânico as conclusões

Do contrário não haverá ciência

Apenas tristes e histéricas ilusões

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