Antes, noutro tempo atrás
No qual não havia mulher
Tudo era sem luz, sem graça
Não havia dor sequer
Nem mesmo pecado qualquer
Nenhuma mentira ou trapaça
Foi essa criatura audaz
Senhora, fêmea, mulher
Que pariu tamanha audácia
Do excelso crime suceder
Contra o qual não há poder
Nenhuma fúria ou pirraça
Nenhum acordo, tratado de paz
Que convença homem qualquer
De abandonar a delícia
e viver assim de viés
Não podendo ser mulher
Pode apenas desejá-la
Sendo um tanto perspicaz
Qualquer um deve saber
E evitará tamanha desgraça
Se assim, evitar proceder
de intentar domar esse ser
Noutros aspectos além da cama
Perto da fêmea, homem é rapaz
e fazem do rapaz o que quiser
O homem que não nota a arapuca
Cai nela fácil, sem perceber
E ainda que objetive retroceder
Tem a carne frágil inebriada
Engana-se quem se acha capaz
De ter nas mãos esse ser
Tem de saber curtir a festa
Sabendo que vai perder
Comer da maçã, beber da fonte
E então vender a alma
Pois, noutro tempo atrás
No qual não havia mulher
Tudo era sem luz, sem graça
Não havia dor sequer
Nem mesmo pecado qualquer
Nenhuma mentira ou trapaça
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