terça-feira, 7 de fevereiro de 2023

Antes da mulher

 Antes, noutro tempo atrás

No qual não havia mulher

Tudo era sem luz, sem graça

Não havia dor sequer

Nem mesmo pecado qualquer

Nenhuma mentira ou trapaça


Foi essa criatura audaz

Senhora, fêmea, mulher

Que pariu tamanha audácia

Do excelso crime suceder

Contra o qual não há poder

Nenhuma fúria ou pirraça


Nenhum acordo, tratado de paz

Que convença homem qualquer

De abandonar a delícia

e viver assim de viés

Não podendo ser mulher

Pode apenas desejá-la


Sendo um tanto perspicaz

Qualquer um deve saber

E evitará tamanha desgraça

Se assim, evitar proceder

de intentar domar esse ser

Noutros aspectos além da cama


Perto da fêmea, homem é rapaz

e fazem do rapaz o que quiser

O homem que não nota a arapuca

Cai nela fácil, sem perceber

E ainda que objetive retroceder

Tem a carne frágil inebriada


Engana-se quem se acha capaz

De ter nas mãos esse ser

Tem de saber curtir a festa

Sabendo que vai perder

Comer da maçã, beber da fonte

E então vender a alma


Pois, noutro tempo atrás

No qual não havia mulher

Tudo era sem luz, sem graça

Não havia dor sequer

Nem mesmo pecado qualquer

Nenhuma mentira ou trapaça

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