A mãe das putas,
estrela matutina,
pétalas da flor,
flor de tangerina.
Deusa dos templos,
anti-virgem Maria,
em carruagem de leões,
administra o céu.
Paraíso dos homens,
êxtase da matéria,
nos jardins suspensos
da Babilônia.
Não tem vergonha,
nem se dá o respeito.
Dá para todos,
de todos os jeitos.
Gênese de Afrodite,
Gaia, e tantas outras,
mulheres e seus artifícios
de deusas e moças.
Estátuas, sem orifícios,
Ainda sim cativam a luxúria.
Ante a lúgubre pele nua,
cativa o macho a seu ofício.
Ao cio da terra,
a sina dos homens,
a paz pela guerra,
aos erros de Eros.
Antes mesmo dos acádios e sumérios,
se pretende na mulher encontrar
de todas as dores, o santo remédio,
do sabor da fruta proibida, desfrutar.
No corpo da mulher, o paraíso,
perdido do Éden, encontrado no fruto,
que embriaga e faz perder o juízo,
sendo a fonte do desejo absoluto.
O fruto, flor e jardim das delícias terrenas,
é perfeito remédio, calmante e excitante,
para pretensiosas noites inquietas e serenas,
que não findam, nem deixam dormir um instante.
Quando chá, é afável e quente,
dá sede à boca e faz transbordar calor.
Beber da fonte tão vertente
faz querer nela se afogar pelo sabor.
O fruto do pecado e do amor
é, sem dúvidas, do jardim o mais lindo.
Faz esquecer qualquer dor,
esquecendo também o juízo.
Todo ser, inevitavelmente, se inebria,
encontrando também amparo e carinho.
Por fim, todo mal, angústia e ruína,
se apazigua no seio feminino.
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