domingo, 5 de fevereiro de 2023

Ode a Ishtar

A mãe das putas,

estrela matutina,

pétalas da flor,

flor de tangerina.


Deusa dos templos,

anti-virgem Maria,

em carruagem de leões,

administra o céu.


Paraíso dos homens,

êxtase da matéria,

nos jardins suspensos

da Babilônia.


Não tem vergonha,

nem se dá o respeito.

Dá para todos,

de todos os jeitos.


Gênese de Afrodite,

Gaia, e tantas outras,

mulheres e seus artifícios

de deusas e moças.


Estátuas, sem orifícios,

Ainda sim cativam a luxúria.

Ante a lúgubre pele nua,

cativa o macho a seu ofício.



Ao cio da terra,

a sina dos homens,

a paz pela guerra,

aos erros de Eros.


Antes mesmo dos acádios e sumérios,

se pretende na mulher encontrar

de todas as dores, o santo remédio,

do sabor da fruta proibida, desfrutar.


No corpo da mulher, o paraíso,

perdido do Éden, encontrado no fruto,

que embriaga e faz perder o juízo,

sendo a fonte do desejo absoluto.


O fruto, flor e jardim das delícias terrenas,

é perfeito remédio, calmante e excitante,

para pretensiosas noites inquietas e serenas,

que não findam, nem deixam dormir um instante.


Quando chá, é afável e quente,

dá sede à boca e faz transbordar calor.

Beber da fonte tão vertente

faz querer nela se afogar pelo sabor.


O fruto do pecado e do amor

é, sem dúvidas, do jardim o mais lindo.

Faz esquecer qualquer dor,

esquecendo também o juízo.


Todo ser, inevitavelmente, se inebria,

encontrando também amparo e carinho.

Por fim, todo mal, angústia e ruína,

se apazigua no seio feminino.


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