segunda-feira, 8 de junho de 2026

Na Ribeira da Lagoa

Na mansa ribeira desta lagoa,

Onde a água repousa e não tem pressa,

Me abençoo na brisa que esvoa,

Como a voz de uma prece que começa.

Feito de um santo incenso o ardor imenso,

Num sacro momento em que já nem penso.


É quando a vida, enfim, se destina,

Para além do que a mente concebeu,

E a felicidade, assim, repentina,

Me alegra o peito que de si se esqueceu.

Qual rio que transborda do seu leito,

Rompendo a vã rotina do que é feito.


Vejo uma igreja no interior da onda,

Mistério líquido que a luz semeia,

E deixo que a minh'alma lá se esconda,

Como o profeta Jonas na baleia.

São águas que murmuram o que não vejo,

Ondas antigas que me vêm do Tejo.


O Tejo é rio que desce para o mar,

A lagoa é um espelho onde me sinto.

E, entre a brisa que bate e o meu pensar,

Sou apenas mais água no infinito.

Guardo a alegria, a igreja e a ilusão,

No interior mais fundo do coração.


Lagoa da Pampulha, Belo Horizonte 06 de junho de 2026. 

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