Se eu fosse um Papagaio
eu seria feliz por ser um Papagaio.
A verdejar o céu azul
em voos sobre o pálido globo azul,
a me fixar em galhos
e beliscar folhas
e cumprimentar os passantes,
e fazer tudo que pode fazer um Papagaio
assobiara
a exercer os meus despropósitos de ave.
Eu seria feliz em namorar uma Papagaia
como na ópera de Mozart,
e por isso mesmo
estaria a beliscar as coisas,
comer frutinhas e roer gravetos,
como faz um papagaio,
e a recitar poemas,
sendo a própria poesia
transubstanciada
a estender as asas sob o mundo.
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